Blogagem coletiva: mitos e verdades sobre intercâmbio
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Recebi um convite da minha querida e saudosa amiga Mahina Fava, do Produzindo.net, para participar de uma blogagem coletiva sobre intercâmbio. Eu já queria resgatar os posts aqui no blog e escrever com mais frequência e aproveitei esse incentivo para retomar as publicações!Acho que intercâmbio é um sonho de quase todos os adolescentes e universitários, e quando eu consegui ser classificada na seleção do programa entre a UFJF e o Colorado College, em 2006, tive aquele sensação plena de felicidade como poucas vezes aconteceu depois. Se tem uma primeira verdade sobre o assunto, seria esta sensação maravilhosa de sonho realizado.
Só que depois dessa alegria imensa começam algumas pequenas complicações – nada que tire o brilho da oportunidade. É muita papelada para preencher, passaporte, visto. No meu caso, fui pega de surpresa e tive pouco mais de um mês para resolver tudo. Na época, a Coordenação de Relações Internacionais da UFJF sofria com uma tremenda falta de estrutura. Sei que de lá para cá muita coisa melhorou pois continuei acompanhando alguns intercambistas que foram ou chegaram no nosso querido Brasil. Mas contar com um apoio mais profissional nessas horas ajuda a não ter muitas surpresas e dores de cabeça desnecessárias.
Alguns mitos…
- Há uma supervalorização do intercâmbio no currículo, muita gente acha que só o fato de ter viajado para o exterior vai fazer milagre no retorno. Não vai. O valor de uma experiência dessas depende muito mais das escolhas que o intercambista faz no exterior e das mudanças que ocorrem em sua personalidade do que do evento em si. O intercâmbio sozinho não garante oportunidades profissionais para ninguém, mas agrega um valor pessoal que poucas experiências acadêmicas podem proporcionar…
- Muita gente acha que só quem já tem uma boa posição financeira consegue fazer intercâmbio. Mas acho que hoje já existem muitas oportunidades subsidiadas pelos próprios governos e Universidades estrangeiras. O aluno acaba tendo que arcar com custos de passagem, às vezes hospedagem, mas o investimento certamente vale a pena;
- Acho que há um deslumbramento muito grande da questão da “liberdade” de se estar em outro país. Muita gente esquece que o outro país também tem leis, regras… Nos Estados Unidos, por exemplo, eu tinha 20 anos e não podia beber, porque a lei só permite o consumo de álcool para maiores de 21. Isso era um drama para alguns colegas que já estavam acostumados a beber em seus países de origem e lá tinham que, literalmente, ficar escondendo latinha de cerveja na mochila.
E muitas verdades!
- As amizades… Ah, como não lembrar com carinho e saudade de todas aquelas pessoas dos quatro cantos do mundo, e querer viajar o globo para reencontrá-los. Um das coisas mais gostosas da experiência pós-intercâmbio foi ter tido a oportunidade de receber alguns amigos estrangeiros na minha casa, na minha cidade. Essa troca não tem dinheiro que pague;
- Host families realmente são importantes para inserir o aluno na cultura do local. Acho que eu não teria entendido tão bem o American Way of Living se não fosse pela querida Mom Dee, casada com um paraquedista aposentado do Exército Americano. Foi incrível passar com eles o Dia de Ação de Graças, partilhar daquela ceia, sentir-me parte da família.
- Verdades sobre os Colleges americanos: é exatamente aquilo que você vê em todas as comédias românticas e filmes de terror que retratam a vida universitária, believe me. Mas nunca aprendi, li e escrevi tanto quanto naqueles quatro meses em terras americanas, e sonho até hoje com o dia em que o sistema de ensino superior brasileiro seja um pouco mais parecido com aquela experiência. Porque tinha festa todo dia nas Fraternidades, mas no dia seguinte a turma estava com o texto lido na ponta da língua para participar da aula.
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